O meu parceiro(a) quer mais relações sexuais do que eu: o que fazer

Aqui tens algumas ideias para encontrarem o vosso ritmo, sem culpa nem pressão.

manos entrelazadas

Se a sua cara-metade quer ter mais relações do que você, o que funciona não é forçar-se nem calar-se, mas sim falar sobre isso fora da cama, sem recriminações, e procurar juntos outras formas de intimidade. Se não se fala, quem deseja mais sente-se rejeitado, quem deseja menos carrega a culpa, e a distância acaba por ser maior do que a própria diferença de desejo. Na La Maleta Roja é um dos temas que mais surgem nas palestras e reuniões, e insistimos sempre no mesmo: isto não se resolve calando, resolve-se falando.

A maioria acredita que existe uma frequência “normal” de relações, e que se não se chega a ela é porque algo falha: nela ou na relação. Mas não existe uma quantidade correta de desejo, e quase nenhum casal o tem sincronizado a toda a hora.

Porque é que a diferença de desejo importa mais do que parece

O desejo depende de muitas coisas ao mesmo tempo: as hormonas, o cansaço, o stress, a carga mental e a própria relação. Com a idade, os desajustes podem acentuar-se: na menopausa, a descida de estrogénios pode reduzir o desejo e a lubrificação, enquanto o do seu parceiro se mantém mais ou menos igual, ou vice-versa.

Além disso, em muitas mulheres o desejo não aparece do nada: surge quando já há contacto, carícias e proximidade. Por isso, esperar por “ter vontade” para se aproximar pode fazer com que pareça que nunca a tem. O problema raramente é a diferença em si, mas sim como se interpreta: ele vive-o como rejeição e você como pressão, e as duas interpretações afastam mais do que o próprio desajuste.

Como reconhecer se é uma questão de desejo ou de ligação

Estes sinais ajudam-na a ver o que está a acontecer realmente:

  • Evita abraços ou carícias por medo de que “levem a mais”.
  • Diz que sim para agradar e depois sente-se mal.
  • O seu parceiro encara-o como algo pessoal e afasta-se.
  • Discutem sobre o tema mais do que falam dele com calma.
  • A distância aparece também fora da cama: menos conversa, menos cumplicidade.

Se a mudança no seu desejo for recente ou brusca, consulte a sua médica ou ginecologista: por vezes, existe por trás uma causa hormonal, de saúde ou um medicamento.

Conselhos práticos

  • Fale disso fora do quarto, num momento tranquilo, não como uma recriminação a quente.
  • Evite o “tens de” ou o “deverias”, em ambas as direções.
  • Separe o desejo do amor: o facto de um querer mais ou menos não mede o quanto se amam.
  • Procurem outras formas de intimidade que não dependam da frequência: uma massagem, um duche juntos, carícias sem objetivo.
  • Se a tensão for constante, uma terapia de casal ou sexológica ajuda-vos a encontrar uma linguagem comum.

Entre nós

Se há um tema que é uma constante nas nossas palestras é precisamente este, e surge sempre o mesmo comentário, quase calcado em cada grupo: “ele quer sempre, ele consegue sempre, e eu, cansadíssima…”. E atrás dessa frase há muito mais do que cansaço: há culpa, há pressão, há a sensação de estar a falhar em algo que nem sequer foi falado em voz alta.

Por isso repetimos sempre o mesmo nos workshops: a base da relação não é a quantidade de encontros, é a ligação. É ouvir-se. E, sobretudo, é não forçar: nem forçar-se a si mesma para agradar, nem deixar que o silêncio se torne a única resposta.

Perguntas frequentes

É normal ter menos desejo do que o meu parceiro?
Sim, é do mais comum. Quase nenhum casal tem o desejo sincronizado a toda a hora.

Devo ter relações mesmo sem vontade para agradar ao meu parceiro?
Não. Forçar-se não resolve o desajuste e a médio prazo gera ressentimento. É melhor falar sobre isso e procurar juntos outras formas de ligação.

A menopausa pode baixar o desejo sexual?
Sim, pode ser um fator importante, mas raramente o único. O cansaço, o stress, a rotina e a relação também influenciam.

Por que não tenho vontade, mas depois desfruto?
Porque em muitas mulheres o desejo aparece com o contacto, não antes. É uma forma de desejo tão válida como a espontânea.

Como falar com o meu parceiro sobre ter menos desejo?
Fora da cama, com calma e sem recriminações. Explique-lhe que não tem a ver com o amor nem com a atração, e proponham juntos outras formas de intimidade.

O que faço se o meu parceiro encarar como uma rejeição?
Explique-lhe que o desejo depende de muitos fatores e não mede o que sente por ele. Se a conversa não fluir, uma terapia de casal pode facilitá-la.

Quando convém ir a uma terapia sexual ou de casal?
Quando a diferença gera tensão constante, ressentimento ou distância que não conseguem resolver falando.

Outras formas de se encontrarem

Um ritual partilhado com o Óleo de massagem Relax, da nossa coleção Rituais Sensoriais, é uma forma simples de se reencontrarem sem a pressão de que tudo acabe no mesmo.


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