Na La Maleta Roja vemo-lo em cada conversa: durante a menopausa não mudam apenas os níveis hormonais, muda a forma de sentir, o desejo e a relação com o próprio corpo. Não se trata de "recuperar o que era antes", mas de aprender a integrar esta nova etapa sem te desconectares de ti mesma nem da tua sexualidade.
Como muda o desejo durante a menopausa
Fala-se muito da menopausa a partir do plano hormonal — a descida de estrogénios, a secura, os afrontamentos —, mas raramente daquilo que acontece no terreno mais íntimo: muda a forma de sentir, muda o desejo e muda a relação com o próprio corpo. E, apesar de ser algo tão comum, muitas mulheres vivem-no em silêncio. Nas nossas conversas e workshops é habitual verificar a sinceridade com que falam sobre isto assim que se sentem num espaço seguro — algo que, fora dele, para muitas é muito difícil.
O parceiro ou parceira, se o houver, espera muitas vezes que tudo continue igual. Mas não está, e aí começa o desgaste: ela muda, mas ninguém explica como integrar essa mudança sem se desconectar. Se não for posto em palavras, a outra pessoa pode interpretá-lo como rejeição — quando, na verdade, pode ser uma mudança na forma como se sente e como o corpo responde, não uma falta de amor ou de interesse.
Como reconectar com o teu corpo e com o teu parceiro ou parceira
- Muda a ordem habitual: não é preciso sentir desejo para começar. A ligação pode nascer primeiro no contacto — olhar-se, tocar-se sem pressão — e o desejo surgir depois.
- Baixa a exigência. Medir ou comparar cada encontro com o que era antes só bloqueia mais; é preciso espaço para explorar sem sensação de exame.
- Dá tempo a ti própria para redescobrires o teu corpo: não funciona pior, funciona de forma diferente, com outros ritmos e outras necessidades.
- Fala de forma clara, mesmo que custe. Deixar de fingir normalidade pode ser um primeiro passo para reconstruir a ligação.
- Inclui o parceiro ou parceira no processo, em vez de o deixar de fora a tentar adivinhar o que acontece.
Entre nós
Nas conversas, quando estamos assim, entre nós, surge sempre alguém com picaresca que conta as suas técnicas para dissimular, para fingir ou, pelo menos, para que a coisa "acabe" quanto antes. Ainda as há, sim, e por vezes muito mais novas do que se poderia pensar. Mulheres que passam anos a fazer como se nada fosse, para não preocupar, para não discutir, para não ter de lhe dar um nome. Mas dissimular, a longo prazo, cansa imenso. Não finjas que tudo é igual: não o é, e não faz mal. Tu mereces muito mais. O que acontece é que, quando o contas, começas a construir algo novo em vez de sustentar algo que já não o é.
Perguntas frequentes
É normal que o desejo baixe na menopausa?
É frequente e pode ter componentes hormonais, físicos, emocionais ou do casal. Não significa necessariamente que haja um problema na relação.
É preciso sentir desejo para começar um encontro íntimo?
Não necessariamente. Para algumas pessoas, o desejo aparece depois do contacto; começar pelo toque sem pressão pode ajudar.
Como explico ao meu parceiro ou parceira o que me está a acontecer sem que o tome como rejeição?
Podes contar-lhe como estás a viver as mudanças físicas e emocionais, sem assumir que se trata de uma perda de interesse. Falar sobre isso ajuda a evitar mal-entendidos.
Porque comparo as minhas sensações atuais com as de antes?
É habitual, mas essa comparação pode bloquear mais do que ajudar. O corpo não funciona pior nesta etapa: pode responder de outra maneira.
É possível recuperar a ligação do casal depois desta mudança?
Pode reconstruir-se pouco a pouco, falando de forma clara, baixando a pressão e voltando ao contacto sem pressa.
O bloqueio é físico ou mental?
Podem existir fatores físicos, emocionais e do casal ao mesmo tempo. Se houver dor, secura ou uma mudança que te preocupa, consultar uma profissional ajuda a identificar o que se passa.
O parceiro ou parceira deve participar ativamente neste processo?
Se o houver, partilhar o que estás a viver pode ajudar a reduzir a distância e a encontrar juntos outras formas de intimidade.
Reconstruir essa ligação também passa pelo tato: um óleo sensual para o corpo pode ser um ponto de partida para retomar o contacto sem pressão, antes mesmo de pensar em qualquer outra coisa.