Orgasmos na maturidade: como o prazer muda na menopausa (e como redescobri-lo)

Com a menopausa o prazer não desaparece, muda de ritmo. Explicamos-lhe o que acontece no corpo e como desfrutar de orgasmos mais conscientes, intensos e sem pressa.

Fotografía en blanco y negro de dos pares de pies enredados en sabanas

 

Na maturidade, o orgasmo não desaparece: muda de ritmo. Com a perimenopausa e a menopausa, a descida dos estrogénios pode fazer com que a excitação demore mais tempo, a lubrificação diminua e algumas zonas percam alguma sensibilidade, mas o corpo continua plenamente capacitado para o prazer. Na La Maleta Roja ouvimo-lo frequentemente nas palestras: muitas mulheres descobrem nesta etapa um prazer mais lento, mais consciente e, em muitos casos, mais intenso do que antes.

Não é um fim nem uma versão reduzida do que havia. É outra forma de viver a sexualidade, com menos pressa e mais conhecimento do próprio corpo.

Por que é que o prazer muda

Os estrogénios mantêm o tecido vaginal elástico, bem irrigado e lubrificado, e participam na sensibilidade da zona genital. Quando os seus níveis descem, a resposta sexual torna-se mais gradual: é necessária mais estimulação prévia para excitar-se, a lubrificação natural é menor e o clítoris pode precisar de um estímulo mais intenso ou mais constante. Ao mesmo tempo, desaparecem pressões de outras etapas — o medo da gravidez, a pressa, as expectativas alheias — e isso abre espaço a outra forma de desfrutar.

Como funciona o orgasmo nesta etapa

O orgasmo depende em grande parte da irrigação sanguínea na zona pélvica e da resposta do clítoris. Com mais tempo de estimulação, o fluxo sanguíneo aumenta, o tecido torna-se mais recetivo e a excitação constrói-se de forma mais progressiva. Por isso, muitas mulheres notam que, quando se dão esse tempo, o orgasmo é sentido de forma mais profunda e prolongada. Se na juventude chegava como uma faísca, na maturidade assemelha-se mais a uma chama que se alimenta com paciência.

Conselhos práticos

  • Dedique tempo à autoexploração. Redescobrir que zonas continuam a ser sensíveis e quais pedem mais estímulo é o primeiro passo e, além disso, favorece a circulação na zona pélvica.
  • Use lubrificante sem complexos. Um à base de água ou de silicone evita desconfortos e torna tudo mais confortável e natural. Se a secura for constante, adicione um hidratante vaginal de uso regular.
  • Experimente sugadores ou vibradores de clítoris. Oferecem uma estimulação intensa e precisa sem fricção direta, algo que muitas mulheres agradecem quando a sensibilidade muda.
  • Cuide do seu pavimento pélvico. Os exercícios de pavimento pélvico podem ser úteis consoante as necessidades de cada pessoa; se tiver dúvidas ou desconforto, consulte uma profissional especializada antes de usar exercitadores.
  • Respire e vá devagar. A respiração profunda e a atenção plena ajudam a prolongar a excitação e a viver o orgasmo com mais presença.
  • Fale com o seu parceiro ou parceira. Contar o que mudou e o que lhe apetece agora melhora a intimidade mais do que qualquer técnica. Combinar estimulação do clítoris com penetração costuma marcar uma grande diferença.
  • Se houver dor, consulte. O prazer não deve doer. Se o desconforto se repetir, fale com a sua ginecologista: pode ter diferentes causas que convém avaliar.

Entre nós

Nas palestras e workshops que realizamos como consultoras temos a grande oportunidade de conhecer imensas mulheres, cada uma com a sua própria realidade. Quando falamos de sexo e orgasmos na maturidade, algumas contam-nos que "baixaram a persiana" e outras, que a estão a levantar. Porquê? Porque o corpo muda, sim, mas também há coisas que jogam a favor. À medida que deixamos para trás o puramente físico, e essa ansiedade pelo físico, procuram outra dimensão: mais conectada, mas sem perder o lado lúdico. Depende de tantas coisas — a saúde, a relação, a curiosidade, as circunstâncias de cada uma — que a maturidade não tem de ser um fim. Pode ser um grande começo.

Perguntas frequentes

É possível ter orgasmos depois da menopausa? 

Sim. A capacidade de sentir prazer e chegar ao orgasmo mantém-se; o que muda é o tempo de excitação e o tipo de estimulação de que o corpo necessita.

Por que é que me custa mais chegar ao orgasmo na menopausa?

A descida dos estrogénios reduz a irrigação e a lubrificação da zona genital, pelo que a excitação é mais lenta. Mais tempo de estimulação e um lubrificante adequado costumam marcar a diferença.

É normal ter menos sensibilidade no clítoris com a idade?

É frequente notar alterações. Uma estimulação mais constante, como a de um sugador ou de um vibrador de clítoris, ajuda a recuperar sensações.

Que acessórios íntimos são melhores na menopausa?

Os sugadores e vibradores de clítoris, os lubrificantes de qualidade e os exercitadores de pavimento pélvico são os mais recomendados nesta etapa.

Fortalecer o pavimento pélvico melhora os orgasmos?

Um pavimento pélvico tonificado melhora a irrigação sanguínea da zona e a capacidade de contração, o que pode fazer com que o orgasmo seja sentido de forma mais intensa.

É possível ter orgasmos múltiplos na maturidade?

Sim, muitas mulheres experienciam-nos. Depende mais da estimulação, do relaxamento e do conhecimento do próprio corpo do que da idade.

O que faço se sentir dor durante as relações?

Não aceite isso como algo normal. Use lubrificante e consulte a sua ginecologista, pois pode dever-se a secura ou atrofia vaginal, ambas tratáveis.


E uma recomendação para desfrutar a dois: a Anilha dupla para casais combina estimulação do clítoris durante a penetração, exatamente o tipo de sensação que nesta etapa costuma marcar a diferença.

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